Com o segundo turno concluído em 25 de outubro, a incerteza do calendário eleitoral ficou para trás, e o mercado financeiro reagiu com forte volatilidade: dólar acima de R$ 5,40 e bolsa em queda no dia 26. Para quem pensa em comprar imóvel em Balneário Camboriú, o momento pede pé no chão: decisões baseadas em orçamento, localização e objetivo, e não em manchetes. Há razões concretas para olhar o mercado com atenção agora, assim como há riscos que merecem planejamento.
Este texto não toma partido de nenhum candidato, partido ou grupo. O foco, como no texto que publicamos antes do primeiro turno, é a economia que cerca a decisão de quem compra, vende ou investe.
O que aconteceu
No domingo, 25 de outubro, o segundo turno das eleições presidenciais terminou com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, que obteve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, conforme o resultado anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Com a definição, o calendário eleitoral se encerra, e o país entra em uma nova fase de expectativas e ajustes.
Na segunda-feira, 26, o mercado financeiro reagiu com intensidade. O dólar comercial fechou o dia em torno de R$ 5,41, com alta superior a 8%, e a bolsa brasileira teve uma das maiores quedas percentuais desde 2020. Os juros futuros também subiram de forma expressiva. No dia seguinte, o dólar seguiu em patamar elevado, na casa de R$ 5,33 pela cotação de referência do Banco Central.
É natural que esse tipo de oscilação cause apreensão. Mas é importante separar dois mundos: o preço das ações e do câmbio muda minuto a minuto, enquanto o valor de um imóvel se forma de maneira mais lenta, por meio de negociações individuais, oferta disponível e perfil de cada comprador.
O que não muda
Balneário Camboriú continua sendo o que era na semana passada. A orla é finita, os edifícios de frente mar continuam raros e a cidade segue como um dos destinos mais procurados do litoral brasileiro. Os fundamentos que sustentam a demanda local, como turismo, qualidade de vida, infraestrutura em evolução e atratividade para compradores de várias regiões, não dependem do resultado de uma eleição.
Também não muda a necessidade de analisar cada imóvel com critério: localização, estado do edifício, documentação, custos mensais e liquidez continuam sendo o que define um bom negócio.
O que muda no curto prazo
1. O argumento de esperar acabou. Muitos compradores adiaram decisões até a definição das urnas. Esse motivo deixou de existir. Quem estava apenas aguardando pode agora retomar o planejamento com mais clareza sobre o calendário.
2. O dólar mais alto muda o poder de compra de quem tem moeda forte. Com a moeda americana acima de R$ 5,40, quem recebe ou guarda em dólar ou euro encontra imóveis em reais mais acessíveis em termos de moeda estrangeira. Em Balneário Camboriú, que atrai compradores de diferentes origens, esse fator costuma despertar interesse.
3. Aumenta a busca por ativos tangíveis entre alguns investidores. Em períodos de volatilidade nos ativos financeiros, é comum que parte dos investidores reavalie a alocação do patrimônio e olhe com mais atenção para ativos reais, como imóveis bem localizados. Isso não significa que o imóvel esteja livre de riscos: tem menor liquidez, custos de transação e depende de cada caso.
4. Os juros e o crédito entram no centro da conversa. A Selic está em 13,75% ao ano, e o Copom se reúne em 3 e 4 de novembro. Após a alta do dólar, economistas passaram a considerar mais provável que o comitê pause a sequência de cortes. Na prática, isso reduz o sentido de esperar por juros muito menores no curto prazo para decidir uma compra. Se o imóvel faz sentido para o seu orçamento hoje, adiar na expectativa de um cenário de crédito bem mais barato pode custar tempo e oportunidades.
5. Custos de construção podem pressionar lançamentos. Parte dos insumos da construção civil acompanha o câmbio. Um dólar mais alto pode pressionar custos e, com o tempo, os preços de novos empreendimentos. Imóveis prontos já têm o valor negociado e dependem menos desse efeito, embora o mercado como um todo se ajuste.
6. Vendedores voltam à mesa. É comum que proprietários que seguraram a decisão durante o período eleitoral retomem a negociação nas semanas seguintes. Mais oferta e interesse em fechar negócio abrem espaço para propostas bem estruturadas, sobretudo à vista ou com entrada robusta.

Pé no chão: o que merece cuidado
Incentivar a compra não significa ignorar os riscos. Alguns cuidados são essenciais:
- Não alavanque além da conta. Com juros altos, a parcela precisa caber com folga, inclusive em cenários de inflação e crédito menos favoráveis.
- Mantenha reserva de emergência. Imóvel não vira dinheiro de um dia para o outro.
- Compare propostas de financiamento. Taxa, prazo, seguros e tarifas variam entre bancos.
- Evite decidir sob pânico ou euforia. Nem a queda da bolsa nem a alta do dólar são, por si só, motivos para comprar ou deixar de comprar.
- Pense em prazo. Imóveis são ativos de médio e longo prazo, e a decisão deve fazer sentido para os próximos anos, não para as próximas semanas.
Nenhum texto de imobiliária pode garantir valorização. O que é possível afirmar é que, depois da fase de indefinição, quem tem planejamento, reserva e objetivo claro pode voltar a avaliar oportunidades com mais tranquilidade.
Como cada perfil pode se posicionar
Quem compra para morar: o momento serve para retomar a busca, revisar o orçamento total, incluindo ITBI e escritura, e simular financiamento em mais de um banco.
Quem compra para investir: compare o retorno esperado do imóvel, somando valorização e locação, com alternativas de renda fixa a Selic de 13,75%. Considere a diversificação do patrimônio entre ativos financeiros e reais.
Quem tem renda ou reservas em moeda estrangeira: acompanhe o câmbio, mas evite tentar acertar a cotação perfeita. Defina o valor-alvo e o prazo.
Quem vende: mantenha o preço ancorado em imóveis comparáveis e esteja preparado para negociar com compradores que retomam a busca.
Perguntas frequentes
O resultado das eleições afeta o preço dos imóveis em Balneário Camboriú? Afeta o ambiente econômico, como câmbio, juros e confiança, mas o preço de cada imóvel depende de localização, estado, oferta e negociação. O efeito costuma ser gradual.
Vale comprar imóvel com o dólar alto? Para quem tem renda ou reservas em moeda estrangeira, o poder de compra aumenta. Para quem recebe em reais, o efeito é indireto, e a decisão deve se basear no orçamento.
O Copom vai cortar a Selic em novembro? A reunião acontece nos dias 3 e 4 de novembro. Há avaliações de que uma pausa se tornou mais provável após a alta do dólar, mas não há certeza.
Imóvel é um bom investimento em momentos de volatilidade? Muitos investidores veem imóveis bem localizados como proteção de patrimônio de longo prazo, mas é preciso considerar liquidez, custos e a situação financeira de cada pessoa. Este texto é informativo e não constitui recomendação financeira.
É melhor financiar ou pagar à vista agora? Depende do seu fluxo de caixa e do custo do crédito. Vale simular os dois caminhos e comparar com o rendimento do seu dinheiro aplicado.
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Minha BC Imóveis: imobiliária com sede na Avenida Brasil, 1091, Centro, Balneário Camboriú/SC (CRECI/SC 4860 J), com atuação em Balneário Camboriú, Camboriú, Itajaí e região. Telefone: (47) 2033-9951 e (47) 9789-3456.
